EMPODERAMENTO de MULHERES


NO BRASIL...


• Em 1996 as mulheres já representavam 40,4% da população economicamente ativa;
• Mas seus salários médios não excedem 54,5% dos salários masculinos.
• A percentagem de mulheres maiores de 11 anos com estudo cresceu 16,4%;
• Porém, 22,8% das brasileiras maiores de 15 anos ainda são analfabetas.
• Um sistema de cotas garante a obrigatoriedade para os partidos políticos de incluir em suas listas um mínimo de 20% de mulheres;
• Mas, no ano 2000, a percentagem de mulheres no governo ainda é ínfima:
• Poder Executivo 5,49% como governadoras de estado e prefeitas;
• Poder Legislativo 11,21% são representantes locais (vereadoras), 10,01% são representantes estaduais (deputadas), 5,65% são representantes federais na Câmara dos Deputados e 7,41% no Senado. (MALHEIROS MIGUEL, Sônia. A política de cotas por sexo. Brasília. CFEMEA, 2000).
• Dos 30 milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha de pobreza, estima-se que 23% componham famílias chefiadas por mulheres;
• O número de domicílios chefiados por mulheres cresceu de 18,2% em 1985 para 22,9% em 1996.
http://www.ibge.net/home/estatistica/populacao/perfildamulher/apresentacao.shtm

A utilização de metodologias participativas no trabalho com mulheres sugere a possibilidade de aliar uma ótica de gênero às idéias emancipatórias propostas por Paulo Freire. Assim, os estudos da "Educação Popular Feminista" abrem caminho para a instrumentalização do trabalho comunitário feminino, além de facilitar a legitimação do poder da mulher, criando a possibilidade para o grupo de gerar seu próprio desenvolvimento.

Nesta perspectiva, entendemos empoderamento como "um processo pelo meio do qual as mulheres incrementam sua capacidade de configurar suas próprias vidas e seu ambiente; é uma evolução na conscientização das mulheres sobre si mesmas, sobre seu status e sua eficácia nas interações sociais".

Assim, quando se pretende a capacitação de mulheres para a tomada de decisões, é preciso levar em conta algumas aspectos fundamentais:

1. o empoderamento de mulheres, sejam elas de classes desfavorecidas ou não, deve passar necessariamente pela ótica de gênero, isto é, deve levar em consideração os aspectos hierárquicos homens-mulheres, existentes nas suas tradições culturais (D’Ávila Neto, Pires);
2. assim entendido, o empoderamento de mulheres deve partir de dentro para fora, de baixo para cima, num processo de treinamento que logre dar a ‘conscientização emancipatória’ (Freire, Maria Mies, Stromquist);
3. o treinamento ou grupos de formação para empoderar mulheres devem contemplar quatro aspectos de forma complementar: cognitivo, psicológico, econômico e político (Stromquist)".

(D’Ávila Neto, Pires, 1998: 20)

NOTAS:

1) "SCHULER, Margaret. Los derechos de las mujeres son derechos humanos: la agenda internacional del empoderamiento. In: LEÓN, Magdalena. Poder y empoderamiento de las mujeres. Santafé de Bogotá: Tercer Mundo y UN Facultad de Ciencias Humanas, 1997, p.31"

2) "D'ÁVILA NETO, Maria Inácia, PIRES, Cíntia. Empoderamento: uma questão atual no projeto de eqüidade de gênero no Brasil. Arquivos Brasileiros de Psicologia. n.8-out./dez. 1998, p.10. (Vers. D'ÁVILA NETO, Maria Inácia, SIMÕES PIRES, Cíntia. Empowerment or powersharing? Considerations on the project of gender equity in Brazil. In: KEARNEY, Marie-Louise. Women, power, and the academy: from rhetoric to reality. New York: Berghahn Books, 2001.)"