E M P O D E R A M E N T O

O conceito de empoderamento vem sendo discutido desde os anos 70, propondo, a partir de questões referentes ao desenvolvimento sustentável, a autogestão de recursos políticos, econômicos e sociais como forma de diminuição da pobreza.

Apesar do termo "empoderamento" poder ser abordado e interpretado sob diversas perspectivas – até porque perpassa inúmeras disciplinas, utilizando a "psicologia individual, a antropologia, a ciência política e a economia" -, ele não trata apenas de um processo de emancipação individual, mas da aquisição de uma consciência coletiva da dependência social e da dominação política. Na verdade, este conceito possibilita traçar uma ponte entre o local e o global, ampliando o contexto de inserção do indivíduo para além de suas famílias e comunidades, articulando-os a noções mais amplas, ao nível macro, e a uma possível ação:
"O conceito vai além das noções de democracia, direitos humanos e participação para incluir a possibilidade de compreensão a respeito da realidade do seu meio (social, político, econômico, ecológico e cultural), refletindo sobre os fatores que dão forma ao seu meio ambiente bem como à tomada de iniciativas no sentido de melhorar sua própria situação."

Nesse sentido, é importante perceber que o conceito de empoderamento vai além da participação - muitas vezes medida na simples presença em assembléias. Trata-se de um conceito sistêmico, o qual reconhece que, se há um maior poder na tomada de decisões e controle por parte daqueles que, antes, não detinham qualquer poder, há uma necessária transformação ao longo do sistema. Ora, com a simples participação (que pode ser confundida com aquiescência) essa alteração só pode ser "esperada"; já o empoderamento pressupõe uma participação crítica e ativa que não pode, de forma alguma, ser confundida com a simples "presença" ao longo do processo de decisão.

"Um processo de empoderamento eficiente deve envolver tanto componentes individuais como coletivos"

Assim, um processo de empoderamento eficaz precisa contemplar quatro níveis :

1. cognitivo, onde interessa a conscientização sobre a realidade e as causas da dominação masculina;
2. psicológico, ligado ao desenvolvimento de sentimentos de auto-estima e autoconfiança, requisitos para a tomada de decisões;
3. econômico, que relaciona a importância da execução de atividades que possam gerar uma renda que assegure certo grau de independência econômica;
4. político, que envolve a habilidade para analisar e mobilizar o meio social com vistas a nele produzir mudanças.

Logo, um processo de empoderamento eficiente deve envolver tanto componentes individuais como coletivos . Só assim é possível desenvolver as habilidades necessárias para que se obtenham reais transformações sociais.

EMPODERAMENTO DE MULHERES