EDUCAÇÃO AMBIENTAL
A Educação Ambiental, hoje, deve ser entendida no sentido da educação para a sustentabilidade. Através dela são trabalhadas informações e conhecimentos que possam construir uma nova visão de mundo capaz de orientar ações no sentido da sustentabilidade.

A Educação Ambiental surge no mesmo momento da consolidação do movimento ambientalista, nas décadas de sessenta e setenta, do século passado, tanto no que se refere às idéias veiculadas por este movimento, quanto por sua aceitação. A crise do ambiente humano, tema principal da Conferência de Estocolmo, organizada pela ONU, em 1972, apontou para a necessidade de uma abordagem global que permitisse delinear soluções contra o agravamento dos problemas ambientais. A Conferência de Estocolmo teve como um de seus resultados a Declaração Sobre o Ambiente Humano, oferecendo orientação aos governos dos países participantes através do Plano de Ação Mundial; e, em particular, recomendando o estabelecimento de um programa internacional de Educação Ambiental, visando educar o cidadão comum no sentido de capacitá-lo para manejar e controlar seu meio ambiente. A conferência dava estatuto à educação como elemento crítico para o combate à crise ambiental no mundo.

O ano de 1977 representou um marco na história da educação ambiental. A Conferência de Tibilisi, na URSS, realizada neste ano, pela UNESCO, em colaboração com o PNUMA (UNEP), concede à Educação Ambiental o estatuto de política internacional, estabelecendo princípios e diretrizes gerais para os programas a serem elaborados em todo o mundo. Desde então, o que se convencionou chamar "Educação Ambiental" concentra todos os esforços no sentido de informar e prover os conhecimentos necessários à conscientização a respeito dos problemas ambientais. Sensibilização, conscientização e participação são as palavras-chave desta política e se referem, respectivamente, aos objetivos de : despertar os indivíduos e a coletividade para os problemas ambientais; dar significado a estes problemas relacionando-os à sua importância para a vida cotidiana; e oferecem os conhecimentos indispensáveis para que os indivíduos sejam capazes de empreender ações em favor de seu meio ambiente e de sua qualidade de vida.

Em 1992, na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, Rio-92, foi reafirmada a importância da Educação Ambiental para uma mudança qualitativa de comportamento do homem perante o meio ambiente. No documento proposto por este Fórum, a Agenda 21, há uma capítulo especificamente dedicado a este tema, entitulado "Promovendo a Educação ambiental" (Cap. 36, seção IV) e que trata, especificamente, da reorientação da Educação Ambiental no sentido da sustentabilidade.

Para cumprir com êxito esta meta, a Educação Ambiental tem como espaços de atuação não só o espaço escolar formal, mas, também, os espaços ditos não-formais e informais. Para que a conscientização e sensibilização possam acontecer num espectro mais amplo, devem ser estabelecidos programas tanto nos espaços da educação formal, como escolas e cursos de treinamento e formação de professores, como também nos espaços designados à educação não-formal e à educação informal. No âmbito da educação formal, já podemos encontrar a educação ambiental como parte integrante dos currículos escolares. Contudo, é no espaço da educação não-formal que se podem identificar os principais programas de ação. A educação não-formal é aquela que persegue objetivos de formação ou de instrumentação planificados, mas não dirigidos especificamente ao provimento de graus próprios do sistema educativo oficial. Constitui um sistema complementar à educação formal, com um importante papel na mudança de atitudes e valores reclamados por nossa sociedade. São exemplos de situações de educação não formal: os museus, centros de ciência, exposições, parques, e centros culturais. Ou, ainda, a ação de uma entidade ambientalista em um bairro, o conjunto de atividades promovidas por uma empresa ou sindicato junto aos seus trabalhadores. Os objetivos principais de tais iniciativas são melhorar a qualidade de vida da comunidade e fortalecer a cidadania.

A educação informal, consiste, assim, em uma educação não planificada que se produz no processo de socialização em relação ao ambiente concreto, incluindo as relações cotidianas que se estabelecem entre familiares, vizinhos, companheiros de trabalho etc. Sua importância está relacionada ao seu efeito multiplicador, posto que, cada destinatário é, por sua vez, um promotor potencial da interação social cotidiana.

Associada aos princípios de cidadania, a educação ambiental em espaços não-formais é responsável por uma atuação mais consciente e ética possibilitando que as iniciativas de desenvolvimento local se fortaleçam no caminho para a sustentabilidade.